Sempre fui um cara bastante decidido quanto ao significado de justiça. Também sempre acreditei que as leis brasileiras não fazem jus ao seu mais pleno proposito.
O que não é algo tão extraordinário, tendo em vista todos os casos de desvio de
verba pública e o fato de que cada vez mais bandidos não se
importavam em serem pegos e irem para a cadeia. Também pudera... para alguém
que precisa diariamente roubar para sobreviver, ir para um lugar onde lhe dão
comida e moradia de graça (além da área com o melhor sinal de celular da cidade), não parece um mal negócio. E ainda há a possibilidade de aprender novos truques
ou fazer parcerias com os outros detentos. E ainda tem gente que pergunta
porque existe tanta criminalidade por aqui, hahaha, tolos alienados pela mídia do pão e circo...
Porém foi depois de
uma série de eventos que ocorreram na minha vida, que resolvi fazer alguma coisa
sobre isso. Sair dessa zona de conforto, chamada tolerância, em que muitos se
escondem. Essa mesma que faz com que grande parte do país aceite que todos os
dias sejam roubados pelos engravatados de Brasília e dar aquele discurso, de
como uma pessoa comum não mudaria nada contra poderosos e inatingíveis
corruptos. Ou mesmo ser assaltado enquanto vai ao trabalho e ter que decidir
entre ir trabalhar ou ser repreendido por faltar e ir dar queixa. Não posso
falar muita coisa, não fui diferente até ser totalmente humilhado e destruído.
Até ser jogado contra a parede com tal força que fez de mim não sobrar nada.
Mas se não fosse por isso eu não estaria onde estou agora. Quando você tira
muita coisa de algo a ponto de deixar esse algo cheio somente com o nada, você
abre espaço para que o nada se encha novamente.

Nenhum comentário:
Postar um comentário