O ar estava árido, as árvores mortas e a felicidade mergulhada em
trevas. Era este o lugar onde um homem magro de cabelos escuros e vestindo um
smoking preto se encontrava preso, lugar este que se assemelhava a um deserto
porém ao invés de um sol escaldante havia cinzentas nuvens sobrevoando o céu,
cinza este que se refletia no áspero solo daquele local. Em sua frente existia
um estranho rio de onde águas obscuras surgiam carregando cadáveres em seu
percurso. Por impulso, ou talvez por algo maior, suas pernas o levaram até a
beira do rio.
– Mergulhe e
aceite seu destino. – falou uma tenebrosa voz vinda de trás do homem. Quando
olhou para trás seu corpo paralisou e o medo consumiu sua mente no momento em
que avistou o possuidor de tal voz, era uma criatura esquelética e pálida com o
corpo semelhante ao de um humano e seu rosto e corpo eram cobertos por um manto
negro.
– Quem é você? –
Do que você está falando? – perguntou.
– De sua atitude,
tentando me evitar. Você sabia que eu viria, mas mesmo assim se utilizou de sua
inútil esperança para me manter afastado, como pode ver, nem as “incríveis”
tecnologias criadas por vocês puderam me deter... Por quê? Porque você ainda
foge, ainda acredita que pode ser livre, sabendo que para onde irá existe
apenas sofrimento e trevas. Seus pecados estão selados assim como sua vida, o
que fizer a partir de agora de nada lhe servirá, seu destino foi traçado e
agora apenas lhe resta aceita-lo. – disse o estranho ser.
– Não consigo
entender. Que lugar é este? O que aconteceu? E principalmente, quem é você?
– Quem sou você já
sabe, mas o que precisa entender é que tudo o que você faz tem consequências e
não importa o quanto tente, nada do que fez poderá ser esquecido ou mudado. As
pessoas que morreram, foram torturadas ou se feriram por sua causa, lhe
atormentarão pela eternidade, seu corpo se tornará o brinquedo destas almas e a
sua mente um quebra-cabeça que no qual irão montá-lo e desmontá-lo ao seu bel
prazer. E como já lhe disse antes, não há salvação, não há saída e
principalmente, não há esperança.
– Você nunca fará
isso comigo. Nunca! – esbravejou o homem.
– Olhe a sua
volta. Para onde deseja correr? O que irá fazer? Aceite logo a verdade e pare
de agir como se ainda fosse criança. Você não tem voz aqui e muito menos a
ajuda de seus entes.
O homem
desorientado, sem saber mais no que acreditar fita seus olhos no rio e começa a
relembrar todos os atos que acometeu até o momento. Refletiu sobre seus erros,
erros estes que nem as pessoas mais compreensíveis poderiam perdoar. No mesmo
instante o seu reflexo começou a se desfigurar e em seu lugar apareceu à imagem
de um monstro, tão horrível quanto os demônios mais tenebrosos do inferno.
– Esse sou eu?
Essa é minha verdadeira forma? – questionou o homem.
– Finalmente você
entendeu. – disse o ser esquelético. – Percebeu quem você realmente é, porém
vejo que ainda não compreendeu por completo quem eu sou. Olhe para mim. – falou
a criatura ordenando o homem. No momento em que olhou para o ser, a criatura
levantou a cabeça em um ângulo que seus olhos avermelhados e macabros pudessem
ser vistos. – Eu sou a Morte. Eu sou seu julgamento.
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R.F.Jorck

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